Migrantes somos todos

Sandra Ordoño

2/27/20261 min ler

A palavra expat vem de expatriado:
alguém que vive fora da sua pátria.

Pátria vem de pater: pai, origem, lugar de pertença.
A pátria não é apenas um país.
É também o lugar onde nos sentimos parte.

Nesse sentido, todas as pessoas que migram são expats.
Todas vivem, de alguma forma, fora do seu lugar de origem.
O que muda não é o facto de migrar, mas as condições em que essa migração acontece.

Há percursos marcados pela urgência e pela falta de alternativas.
Outros são atravessados por escolha, mobilidade e mais recursos.
Reconhecer estas diferenças não é criar divisões.
É ter consciência do contexto em que nos movemos.

A consciência da diferença abre espaço para a responsabilidade.
Não como culpa, mas como atenção ao impacto que a nossa presença tem nas relações, nos espaços que ocupamos e na comunidade que ajudamos a construir.

Essa responsabilidade começa pela abertura com que nos deixamos afetar pelo que é diferente.
Pela disponibilidade para aprender com o que já existe, com as práticas, saberes e ritmos do lugar.
E também pela capacidade de inspirar — não impondo, mas participando — nas relações que tecemos com quem já cá está.

Vivemos em sociedades cada vez mais diversas.
A forma como habitamos essa diversidade hoje constrói a sociedade em que vivemos e aquela que vamos deixar às próximas gerações.

A multiculturalidade não é uma ameaça.
É uma riqueza que nasce da mistura.
Somos feitos de encontros, de influências, de cruzamentos de histórias.
Quando há abertura, a diferença amplia o mundo — não o reduz.

Migrar coloca-nos sempre diante da mesma pergunta, independentemente do ponto de partida:
como queremos viver juntos?

Talvez o desafio não seja escolher rótulos, mas cultivar presença, consciência e responsabilidade na forma como participamos da sociedade que nos acolhe.